Séries e Filmes do mês #agosto

Gypsy – 1ª Temporada

Essa série original Netflix, estreou no finzinho de junho e, para nossa frustração, já foi cancelada mas assistimos recentemente. É um suspense psicológico que conta a história da terapeuta Jean Halloways (Naomi Watts), leva uma vida aparentemente tranquila com o marido e a filha e tem uma carreira estável. Aos poucos notamos que Jean começa a se envolver de uma maneira estranha na vida de seus pacientes, envolvendo-se também com a vida das pessoas próximas a eles, criando relações complicadas e um tanto quanto perigosas para sua carreira e sua vida. Além disso, ela também enfrenta seus próprios dilemas, como a convivência conturbada com sua própria mãe e também com sua filha, que começa a despertar sinais de diferenças de gênero, fato com o qual ela e o marido lidam bem, porém geram reações estranhas entre algumas pessoas.

No envolvimento com as pessoas mais próximas de seus pacientes, Jean desenvolve uma nova personalidade, de acordo com o perfil de cada uma, na qual ela muda de atitudes, visual e até de opção sexual e usa sempre o seu alter-ego, Diane. São três os principais pacientes com os quais ela se envolve, Sam, Claire e Allison. Allisson é uma jovem usuária de drogas com a qual Jean desenvolve uma relação maternal, colocando em risco até mesmo sua profissão, quebrando protocolos e envolvendo a polícia. Claire é uma mulher obcecada pela filha, com a qual ela tem um árduo relacionamento e, com ela, Jean cria um laço de amizade a fim de descobrir o que gera essa difícil relação. E Sam é um rapaz que terminou um namoro muito difícil, com Sidney, uma barista e cantora, que mantém sua liberdade acima de tudo, mas ele ainda é fixado na moça, dentro desse quadro, Jean se envolve com a moça de forma que, às vezes parece querer manipulá-la, às vezes parece que está realmente apaixonada. Sidney se envolve com Diane, mas a relação das duas sempre envolve alguns mistérios de ambas as partes, que aos poucos são revelados, fazendo com que Jean/Diane seja descoberta.  Aparentemente, Jean sofre de distúrbios psicológicos e sua “vida dupla” resgata nela um sentimento de liberdade, de ser alguém que ela gostaria de ter sido.

Em uma visão egoísta, a série parece fazer com que os acontecimentos da vida normal de Jean sejam os motivos para suas reações psicológicas. Mas a série desperta muito interesse e tem uma ótima produção. Os 10 episódios dessa primeira temporada foram criados por Lisa Rubin e produzidos por Sam Taylor-Johnson, diretora do famoso filme Cinquenta Tons de Cinza.

The Handmaid’s Tale – 1ª Temporada

Essa é uma das séries mais comentadas mundo afora e uma das que mais me surpreenderam nos últimos tempos. Realizada pela plataforma de transmissão streaming Hulu e criada por Bruce Miller, a série é uma adaptação do livro original de mesmo nome, no Brasil “O Conto da Aia”.

A história é uma ficção crítica que se passa em um futuro distópico após um ataque terrorista nos Estados Unidos, que acaba viabilizando um grupo católico poderoso a a criar novas leis a fim de, segundo eles, restaurar paz. Com isso, acontece uma forte revolução, na qual as minorias perderam seus direitos, precisando correr para buscar refugio em outros países. As mulheres são as mais afetadas, elas são restritas a rezar, fazer compras para a casa, não podem nem ao menos ler e perderam até mesmo seus nomes originais, mas a função básica dessas mulheres é serem aias, ou seja, basicamente são mantidas nas casas para reproduzirem em nome de suas “senhoras” e do novo governo e, para isso, elas são treinadas por outras mulheres, denominadas “Tias”, passando por humilhações e torturas para serem extremamente obedientes e se contentar em seguir suas funções.

Elas usam praticamente um uniforme, que as identifica de longe, um vestido vermelho, touca branca e um chapéu com abas, que usam para sair, o qual as impede de olhar para os lados e de serem vistas pelas pessoas ao redor e as demais Aias. Nessa sociedade, há também as Marthas, que são as mulheres responsáveis pela limpeza e organização da casa do Comandante e sua esposa.

June (Elisabeth Moss), que vivia com o marido e a filha, tenta escapar da nova instituição teocrática na qual seu pais se transformou, mas é pega pelo Centro Vermelho e acredita que seu marido foi morto na tentativa de fuga. Sua filha é levada e ela passa a ser treinada para ser uma Aia e servir à casa do comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes), passando a se chamar, Offred, que significa Do Fred, em inglês, Of Fred. Sim, elas se tornam propriedades desses comandantes.

Acompanhamos tudo pela perspectiva de Offred e sofremos com ela em todos os momentos dessa primeira temporada, na qual ela precisa se submeter aos mais diversos tipos de humilhações, “em nome de Deus”, sem nenhum tipo de escolha. Vemos também detalhes de alguns personagens secundários, como Janine (Madeline Brewer), Ofglen (Alexis Bledel) e Moira (Samira Wiley).

A série faz muitas críticas aos modelos de sociedades que são movidos pela religião, seja ela qual for, e também a toda a forma de opressão que as mulheres já sofreram e, por mais que não pareça, ainda sofrem de alguma forma.

O elenco está maravilhoso com atuações brilhantes. Elisabeth Moss entregou a alma ao papel e nos faz ter uma explosão de sentimentos em sua interpretação. Também preciso destacar Alexis Bledel, pois eu ainda não havia gostado de nenhuma produção na qual ela havia trabalhado, além de Gilmore Girls.

A segunda temporada já foi confirmada e eu estou recomendando a série para todo mundo, por ser daquele tipo que te faz refletir bastante.

Ozark – 1ª Temporada

Uma série original da Netflix que lembra muito o estilo de Breaking Bad, assim como Walter White, Marty Byrde (Jason Bateman) é um homem “certinho” que acaba se envolvendo com lavagem de dinheiro para Del (Esai Morales), representante de um cartel mexicano. Porém o sócio de Marty, Bruce Liddell (Josh Randall), se acha capaz de roubar de Del, botando a vida dos dois e de suas famílias em perigo.

Para salvar sua vida e de sua família, Marty convence Del a apostar nele e em seu plano de lavar muito mais dinheiro em um tempo menor, para isso ele se muda para o Lago de Ozarks, um lugar onde gente com muito dinheiro costuma passar as férias e tem baixa fiscalização da policia local. Aparentemente a chegada dos Byrde em Ozark não agrada muito alguns moradores, pois Marty precisa comprar alguns estabelecimentos para por seu plano de lavagem em ação e isso acaba atrapalhando o esquema de de distribuição de drogas de um narcotraficante local.

A série apesar de parecer um pouco rápida de mais, possui bastante cenas de flash back que explicam melhor as histórias envolvidas. A trama é bem desenvolvida e bem narrada o que acaba nos envolvendo do início ao fim, Marty conquista o telespectador com seu drama para proteger sua família e também com a traição de sua esposa, que mesmo após descobrir, ele a protege e a mantem ao lado de seus filhos.

Um detalhe importante de destacar é que na abertura da série aparece a letra O destacada com quatro elementos presentes dentro dela, cada elemento significa uma parte da história contada no episódio, então vale a pena prestar atenção e ligar os pontos.

Game of Thrones – 7ª temporada

Nossa série em comum favorita chegou a sua 7ª, penúltima e tão esperada temporada e claro que não podíamos deixar de acompanhar nenhum episódio! A série oficialmente ultrapassou os livros que deram origem a ela, deixando o roteiro nas mãos dos produtores e da HBO, que prometeu um número menor de episódios, porém maiores com mais emoções, o que levou nossas expectativas às alturas.

Vimos o retorno de personagens importantes mas, ao mesmo tempo, os núcleos foram mostrados muito isolados, o que nos fez ter que fixar ligando alguns pontos. Após retornar para Winterfell com Sansa e se tornar o Rei do Norte, Joh Snow tem como foco derrotar o Rei da Noite e conseguir aliados importantes para a Grande Guerra e isso causa um climinha chato entre os dois, mas Snow deixa Sansa cuidando de tudo e vai ao encontro de Daenerys, que pretende criar uma aliança com o Rei do Norte para derrotar os inimigos e tomar o seu trono, cabendo ao Jon, provar para ela que há uma batalha muito mais importante a ser vencida para que todos permaneçam vivos.

Em Porto Real, Cersei junta alguns aliados para derrotar a Daenerys e suas principais armas, seus dragões, além de bolar estratégias para se manter no trono ao mesmo tempo em que Jaime dá alguns sinais de que não concorda 100% com a irmã, mostrando até alguns momentos que nos fazem acreditar que ele ainda pode tentar se redimir.

O exército de Caminhantes Brancos cresce em enorme proporção e, após indicação de Sam, Jon Snow reúne bastante vidro de dragão, cedido por Daenerys e junta um supergrupo com grandes nomes como Jorah Mormont e Sandor Clegane para partir além da Muralha em busca de uma prova para convencer Cersei conseguir mais aliados na guerra contra os Outros, mas o plano parece ser meio estúpido e Daenerys precisa resgatá-los com seus dragões e acaba acontecendo uma trágica perda, um dos pontos principais e o mais marcante da temporada toda.

Jon, Daenerys e Cersei se reúnem pela primeira vez, em um encontro épico, para discutir sobre  o inimigo em comum, mas mesmo provando a existência dos Caminhantes Brancos, Cersei se mostra relutante em cooperar. Outro diálogo de grande importância nessa temporada é de Sam com Bran, que juntos descobrem toda a história escondida com o nascimento de Jon Snow, ou melhor, Aegon Targaryen.

Muita coisa acontece nessa nos episódios de GoT, nos surpreendemos com Arya e principalmente com a união das irmãs Starks contra o Mindinho, também rolou um dos momentos mais esperados de Jon e Daenerys juntos, mas apesar de tantos acontecimentos importantes, muitas falhas também aconteceram, o que deixa a impressão de que os produtores estão correndo com a história. Criticas a parte, ainda com tantos erros, não tem como não pirar com essa temporada e ainda ficar mais ansiosas do que nunca com a continuação que está prometida para 2019! Não sabemos como lidar com isso.

Os Sonhadores

Os Sonhadores é um filme de 2003 do conceituado Bernardo Bertolucci, baseado no romance The Holy Innocents, de Gilbert Adair, que eu já assisti algumas vezes, mas ainda não havia trazido aqui para o blog, até que resolvi assistir novamente em um fim de semana de agosto.

A história se passa na França, em maio 1968, em meio aos movimentos políticos e estudantis e a grande greve geral que dominavam o país. Em meio a tudo isso, o norte americano Mattew (Michael Pitt) está em Paris para aprender Francês e se interessa intensamente pelo cinema, passando a frequentar a cinemateca local, até que o dono é demitido e o local para de funcionar. Nessa confusão, o rapaz conhece Isabelle (Eva Green) uma jovem linda, misteriosa e meio blasé, que tem um irmão gêmio, Theo (Louis Garrel). Ambos frequentavam as sessões de cinema e acabam puxando assunto sobre isso. Os três iniciam uma amizade forte que vem a se tornar um triângulo amoroso, após Mattew ser convidado para jantar com a família dos irmãos e, posteriormente, se juntar a eles em seu apartamento, onde sim, acontece um amor proibido, descrito de forma estranhamente romântica no filme, mostrando os irmãos como se fossem uma só pessoa, movidos pelos mesmos objetivos e com o mesmo sangue revolucionário. Apesar de ser aceito pelos dois, Mattew é apenas uma figura secundária na vida deles, Theo deixa isso bem claro para o rapaz e Isabelle, apesar de parecer interessada em algum tipo de relacionamento com ele, também não consegue se ver com outro sem o irmão. Há muita sensualidade no filme e muitas cenas de sexo, que são abordadas de uma certa forma poética e lúdica.

O cinema é parte fundamental da construção do enredo, que é recheado de referências a grandes clássicos e nos faz conhecer um pouco mais sobre o assunto, cheio de metáforas realizadas de forma impecáveis e citações marcantes. A fotografia é linda e a ambientação nos mostra exatamente o cenário que se passava na França de 68, nos fazendo conhecer um pouco mais dessa história, de uma forma tão diferente.

Apesar de ser considerado bastante polêmico, é um filme que eu gosto muito, pelo estilo, pelo tema, pelo elenco, enfim… pela produção completa. Ele trata de coisas que são consideradas tabus pela sociedade e tudo isso em meio a um fato histórico conhecido mundialmente, com falas ricas e muita cultura. Pra mim, os personagens merecem ser interpretados por cada expectador individualmente, em um sentido filosófico.

Outra coisa que amo demais em Os Sonhadores é a trilha sonora. Muita música boa do final dos anos 60, com Janis Joplin, The Doors e Jimmy Handrix. Super recomendado!

 

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